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7/21/2012

Os portugueses e o poder

Somos provincianos na forma como lidamos com o poder. O lidamos refere-se aos portugueses. E o que mais me surpreende é que vejo o mesmo perfil desde o estagiário ao director geral.

Cultuamos o "chefe": profundamente preocupados em lhe agradar, ou em defender-nos, fazendo estritamente o que ele diz. Sentimo-nos inferior ao chefe e, muito comodamente, entregamos-lhe o poder de todas as decisões. E os chefes também alimentam esta atitude: "o que eu digo é lei e que ninguém a desafie".

Não estou a defender nenhum tipo de anarquia, mas sim uma cultura mais criativa, mais paritária, onde todos os elementos têm uma visão válida a partilhar, a defender. A decisão final pertence ao gestor, mas todos os elementos têm uma atitude pro-activa na decisão e na implementação, sentindo-se co-responsáveis pelo rumo tomado.

Talvez por isso eu sinta tanta falta de líderes em Portugal. Não há cultura de liderança, de desenvolvimento do capital humano, de promoção de talento. Quanto mais interajo com pessoas de outros países mais noto este perfil.

Será que ainda carregamos a herança de Salazar? Ou será que Salazar e todos os déspotas anteriores e vindouros surgiram de dentro de nós, do nosso comodismo de confiar a outros o nosso destino?

7/15/2012

O paradoxo da segurança


Nós gostamos de segurança. Gostamos de sentir que controlamos a mudança constante e a instabilidade, a incerteza inerente à vida. Camões escreveu que "o mundo é feito de mudança", mas a incerteza incomoda-nos.

Por isso procuramos garantias de segurança, exteriores a nós. Essas garantias podem vir do governo, da lei, da família, excepto de nós mesmos! É mais cómodo entregar em mãos alheias a responsabilidade pelas nossas acções e pelo nosso bem-estar.

Existe, no entanto, um paradoxo. É a ilusão de segurança que nos leva a tomar decisões mais arriscadas. Se retirarmos essa ilusão, tomaremos melhores decisões. Vejamos alguns exemplos:

7/10/2012

Botões

Tenho constatado um padrão curioso... por vezes uma observação simples ou um comentário meu inocente desencadeia uma reação inesperada e desproporcional em outra pessoa. Em alguns casos basta referir alguma palavra mágica para a pessoa interpretar de forma totalmente enviesada a mensagem e reagir da forma mais inadequada.

Por vezes o disparate é tal, que parece que estamos perante um boneco no qual se carregou naquele botão que o faz dançar furiosamente, totalmente fora de si. Por momentos, a pessoa encarna alguma personagem sinistra.

Como estas situações já me aconteceram várias vezes, criei um novo passatempo. Consiste em descobrir o "botão" de cada pessoa. Já descobri vários, alguns surpreendentes. E como é um passatempo, a situação até se torna divertida. A diversão seguinte é procurar o "botão OFF" que desligue o diabrete.

Com isso pensei, parece que toda a gente tem o seu botão. Portanto, também devo ter o meu. Pois, confirma-se, já detetei vários! E tu, tens algum? :)

6/24/2012

Conversas com Deus (:

Se tivesse de escolher o livro da minha vida, a escolha seria "Conversas com Deus" de Neale Donald Walsch publicado em Portugal pela editora Sinais de Fogo. Apesar do título, é um livro profundamente naturalista, sensorial e des-repressor que me marcou muito e que não me canso de reler. Está escrito na forma de um diálogo entre o autor e Deus e discorre sobre os mais variados assuntos, desde os nossos dilemas pessoais, os problemas da sociedade até às leis que regem o Universo.

Vou citar um dos trechos mais bonitos do livro... fazendo no entanto uma ressalva: para apreciar a beleza que está lá fora é preciso primeiro desbravar a beleza dentro de nós! 

" - Como devemos lidar com esta incrível experiência chamada sexualidade?

Não com vergonha, seguramente. E não com culpa, não com medo. Porque a vergonha não é virtude, a culpa não é bondade e o medo não é respeito.
E não com luxúria, porque a luxúria não é paixão; não com abandono, porque o abandono não é liberdade; e não com agressividade, porque a agressividade não é impetuosidade.
E, obviamente, não com ideias de controlo ou poder ou domínio, porque essas nada têm a ver com Amor.

6/22/2012

Águias e Galinhas

Assisti recentemente a um vídeo de Seiti Arata onde ele explora a fábula da Águia e da Galinha num contexto empresarial. Fiquei inspirada, ao visualizar como será diferente a nossa vida e sucesso profissionais conforme optemos por ser águia ou galinha.

Embora sejam ambas aves com bico e penas existem diferenças espantosas:
 
A galinha...
  • Existem aos milhares!
  • Tem medo.
  • Não voa.
  • Come restos de comida ou cisca insectos no chão.
  • O final da sua vida é a panela.
  • Vive num lugar limitado: o galinheiro.

6/11/2012

O poder da mentalização

Já te aconteceu despertares interesse por um tema específico e, de repente, encontrares à tua volta imensas referências a esse tema? É o velho exemplo da mulher que ficou grávida e, de repente, vê na rua um número anormal de mulheres grávidas. Na verdade já lá estavam, mas só agora é que ela as está a ver.

Este fenómeno é interessante, porque demonstra que a nossa mente é na verdade um descodificador da realidade. Captamos aquilo que temos predisposição para captar. O que só vem demonstrar que a realidade é uma questão de óptica. Cada pessoa capta apenas uma pequena fracção dela.

6/04/2012

Árvores...

Tenho um fascínio por árvores, como se algo dentro de mim fosse semelhante a elas.

Uma presença discreta, silenciosa mas imponente.
A solidez das raízes que se aprofundam sem medo na escuridão da terra.
A grandiosidade sonhadora do ramos que se abrem e se estendem para o céu.
Sólidas mas leves, dançam ao som do vento que as fustiga.
A generosidade de quem dá porque essa é a sua natureza.
Dá a sua sombra, a beleza das suas flores, os seus frutos, o abrigo sob os seus ramos.
Uma fonte de vida: os pássaros que nelas têm a sua casa, os frutos que a todos alimentam, o oxigénio que respiramos.
São amor em tom verde. Folhas sedosas que acariciam o olhar.
Uma presença que perdura no tempo, anos, décadas e séculos.
Testemunhas silenciosas das nossas conquistas e das nossas loucuras.
São a personificação de sábios anciões, que guardam a sua sabedoria apenas para aqueles que a queiram entender.
Despertam em mim reverência e paixão.