Cultuamos o "chefe": profundamente preocupados em lhe agradar, ou em defender-nos, fazendo estritamente o que ele diz. Sentimo-nos inferior ao chefe e, muito comodamente, entregamos-lhe o poder de todas as decisões. E os chefes também alimentam esta atitude: "o que eu digo é lei e que ninguém a desafie".Não estou a defender nenhum tipo de anarquia, mas sim uma cultura mais criativa, mais paritária, onde todos os elementos têm uma visão válida a partilhar, a defender. A decisão final pertence ao gestor, mas todos os elementos têm uma atitude pro-activa na decisão e na implementação, sentindo-se co-responsáveis pelo rumo tomado.
Talvez por isso eu sinta tanta falta de líderes em Portugal. Não há cultura de liderança, de desenvolvimento do capital humano, de promoção de talento. Quanto mais interajo com pessoas de outros países mais noto este perfil.
Será que ainda carregamos a herança de Salazar? Ou será que Salazar e todos os déspotas anteriores e vindouros surgiram de dentro de nós, do nosso comodismo de confiar a outros o nosso destino?






