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12/18/2013

Conto de Natal

Uma menina olha o céu numa noite escura, no resguardo do seu quarto. Sente a escuridão dentro de si. Sofre. Qual é o sentido? O que é existir? Busca dentro de si, desesperada, por uma centelha de luz. Sente-a, ténue, e chora de emoção.

- Eu amo-te. Não me abandones. Por favor, fica comigo. Eu farei aquilo que disseres. Faz de mim um instrumento teu. Viverei para te servir.

As lágrimas de comoção continuam a cair e o seu coração aquece-se.

Ao mesmo tempo, do outro lado do tempo, uma mulher olha para essa menina. Tão perdida, tão sofrida, tão pura... sente a sua dor e chora com ela.

- És tão linda. Tão sensível. Tem fé, o amor te salvará. Eu estou aqui.

O amor olhou para ambas e sorriu.

11/03/2013

Reclamação

A reclamação é uma atitude contagiosa e cómoda. Em geral, quem reclama cronicamente não quer fazer nada para resolver o seu problema... quer que o problema se evapore, sozinho. A reclamação é o seu estado de espírito.

Recentemente, numa formação empresarial, os formandos aprendiam técnicas para gerir a comunicação de assuntos difíceis. Foi-lhes pedido que identificassem um tema difícil e a pessoa com quem o gostariam de abordar. A maioria identificou temas que gostariam de apresentar ao diretor geral de empresa. De forma inesperada, a formadora sugeriu convidar o diretor a participar na formação, para assim aos formandos terem oportunidade de treinar as competências recém-adquiridas e resolverem alguns dos temas identificados. A resposta foi pânico. Os formandos disserem peremptoriamente que não queriam que ela fizesse isso, que se o diretor fosse convidado eles não falariam nada. Se não queriam falar, então por que reclamavam?!

Quem é proativo, pode ter um momento de desânimo e desabafo, mas de seguida sai em busca de soluções, alternativas, formas de ultrapassar o problema. Quem é proativo não reclama, está demasiado ocupado a resolver a situação.

10/14/2013

Assertividade


Assertividade: a arte de defender os nossos direitos e expressar as nossas ideias sem atropelar as alheias. É uma arte difícil. É caminhar no fio da navalha, de um lado a passividade, do outro a agressividade. Nos dois lados, turbulência emocional mal resolvida.

Conheço, quiçá, a pessoa mais assertiva do mundo. Pelo menos, a pessoa mais assertiva que eu consigo imaginar. Diz de forma clara, direta e inequívoca a situação que a incomoda; demonstra os impactos indesejáveis dessa situação, mas mantém uma atmosfera amigável com a outra parte.

Eu, que sou algo impulsiva com quedas para o emocional, fico a pensar quais são os padrões emocionais de alguém tão assertivo. O que sente perante a frustração? Como posso eu agir da mesma forma?

Se tivesse que arriscar qual é a "fórmula mágica", diria que é o foco no outro. Ter o outro em tamanha consideração, que a mensagem nunca é comunicada contra ele. Comentam-se os comportamentos e o desempenho, mas nunca as pessoas.

10/04/2013

Malabarismo


O malabarismo é algo que me intriga. De que forma uma pessoa com duas mãos consegue manter no ar três, quatro, cinco... bolas? É a arte do foco, da coordenação e da presença de espírito. Até parece fácil, até ao momento em que tentamos e tudo se desmorona em poucos segundos.

O malabarismo não trata só de bolas. No mundo empresarial também precisamos de ser malabaristas, se queremos fazer acontecer. O mundo gira a grande velocidade e, para o acompanhar, é necessário gerir uma grande quantidade de solicitações em simultâneo.

Muitas solicitações, em simultâneo, a grande velocidade, parece a receita certa para dispersão, ineficiência e muito stress. E é-o, excepto se usarmos um antídoto duplo: foco & visão.

9/29/2013

Animal doméstico


O cão que vive connosco não é um cão, é um membro da família. É um filho, que nunca cresce e de quem cuidamos todos os dias. Comida, passeio, higiene. Coisas que se fazem com prazer, em troca da ternura e da amizade que o bicho nos oferece a qualquer hora e sem condições.

Há quem não goste de cão e escolha um gato, porque prefere meiguices com personalidade. E há ainda quem tenhas outros gostos, mais exóticos. Rato, coelho, cobra, pássaro, porco, cabra... são variadas as opções no mundo dos animais de estimação.

Há beleza e poesia aqui. A ternura do bicho torna o homem mais humano. Nós ficamos mais humanos; o bicho fica menos animal... logo, mais dependente e incapaz de sobreviver sozinho se for lançado novamente na "natureza". É o trágico paradoxo da poesia.

À semelhança dos bichos, nós também nos temos vindo a domesticar com o passar dos séculos. Se o nosso tetra-avô se perdesse no meio da floresta, construía uma cabana, caçava e pescava, fazia uma fogueira e sobrevivia. Hoje, nós estamos no conforto seguro da nossa casa e a vida colapsa se faltar a eletricidade. Basta isso. Somos animais sofisticados, mas indefesos se tivermos de enfrentar sozinhos a dura "natureza". É o insólito paradoxo da modernidade.

7/28/2013

Ginásio para a mente

Eu sou da geração que cresceu com máquinas de calcular. Para além de fazerem contas, as máquinas de calcular fazem-nos preguiçosos.

Necessitar de uma máquina de calcular para fazer contas é como precisar de muletas para andar. Com muletas somos capazes de andar, mas de forma desajeitada e lenta, com dificuldade de contornar os obstáculos do caminho. E se elas nos falham, não damos nem um passo.

Mas existem os atletas, de corpo sadio e treinado, senhores dos seus passos, movendo-se com agilidade. Da mesma forma há quem tenha músculos mentais... em poucos segundos fazem deduções, extrapolações, apuram rácios, calculam resultados, tomam decisões. É espantoso vê-los em ação!

Por isso, decidi entrar para o ginásio... da mente. Comecei por regressar à infância para recapitular a velha tabuada. Seguiram-se treinos intensos de cálculo mental onde tudo serve de desculpa...até as matrículas dos carros que inocentemente se cruzam por mim.

Levar a mente para o ginásio pode não fazer de nós atletas de alta competição, mas faz-nos chegar mais longe!

7/21/2013

Fator C

Quando um colega meu comunicou que ia sair da empresa para agarrar outro desafio, levantou-se um problema: encontrar alguém à altura de o substituir.

Ao falar sobre isso com a chefe da equipa, elencamos várias alternativas, entre elas promover outro colega. Mas percebemos rapidamente que ele  não é a pessoa certa. Reúne todo o conhecimento necessário, é tecnicamente competente, não lhe falta nada... só lhe falta acreditar em si próprio! Isso faz toda a diferença e é chocante. Leva-me a pensar, quantas vezes é que eu já cortei as minhas próprias asas? Quantas vezes eu poderia ter ido mais longe e não fui, por falta de confiança e de maturidade.