Páginas

10/04/2013

Malabarismo


O malabarismo é algo que me intriga. De que forma uma pessoa com duas mãos consegue manter no ar três, quatro, cinco... bolas? É a arte do foco, da coordenação e da presença de espírito. Até parece fácil, até ao momento em que tentamos e tudo se desmorona em poucos segundos.

O malabarismo não trata só de bolas. No mundo empresarial também precisamos de ser malabaristas, se queremos fazer acontecer. O mundo gira a grande velocidade e, para o acompanhar, é necessário gerir uma grande quantidade de solicitações em simultâneo.

Muitas solicitações, em simultâneo, a grande velocidade, parece a receita certa para dispersão, ineficiência e muito stress. E é-o, excepto se usarmos um antídoto duplo: foco & visão.

9/29/2013

Animal doméstico


O cão que vive connosco não é um cão, é um membro da família. É um filho, que nunca cresce e de quem cuidamos todos os dias. Comida, passeio, higiene. Coisas que se fazem com prazer, em troca da ternura e da amizade que o bicho nos oferece a qualquer hora e sem condições.

Há quem não goste de cão e escolha um gato, porque prefere meiguices com personalidade. E há ainda quem tenhas outros gostos, mais exóticos. Rato, coelho, cobra, pássaro, porco, cabra... são variadas as opções no mundo dos animais de estimação.

Há beleza e poesia aqui. A ternura do bicho torna o homem mais humano. Nós ficamos mais humanos; o bicho fica menos animal... logo, mais dependente e incapaz de sobreviver sozinho se for lançado novamente na "natureza". É o trágico paradoxo da poesia.

À semelhança dos bichos, nós também nos temos vindo a domesticar com o passar dos séculos. Se o nosso tetra-avô se perdesse no meio da floresta, construía uma cabana, caçava e pescava, fazia uma fogueira e sobrevivia. Hoje, nós estamos no conforto seguro da nossa casa e a vida colapsa se faltar a eletricidade. Basta isso. Somos animais sofisticados, mas indefesos se tivermos de enfrentar sozinhos a dura "natureza". É o insólito paradoxo da modernidade.

7/28/2013

Ginásio para a mente

Eu sou da geração que cresceu com máquinas de calcular. Para além de fazerem contas, as máquinas de calcular fazem-nos preguiçosos.

Necessitar de uma máquina de calcular para fazer contas é como precisar de muletas para andar. Com muletas somos capazes de andar, mas de forma desajeitada e lenta, com dificuldade de contornar os obstáculos do caminho. E se elas nos falham, não damos nem um passo.

Mas existem os atletas, de corpo sadio e treinado, senhores dos seus passos, movendo-se com agilidade. Da mesma forma há quem tenha músculos mentais... em poucos segundos fazem deduções, extrapolações, apuram rácios, calculam resultados, tomam decisões. É espantoso vê-los em ação!

Por isso, decidi entrar para o ginásio... da mente. Comecei por regressar à infância para recapitular a velha tabuada. Seguiram-se treinos intensos de cálculo mental onde tudo serve de desculpa...até as matrículas dos carros que inocentemente se cruzam por mim.

Levar a mente para o ginásio pode não fazer de nós atletas de alta competição, mas faz-nos chegar mais longe!

7/21/2013

Fator C

Quando um colega meu comunicou que ia sair da empresa para agarrar outro desafio, levantou-se um problema: encontrar alguém à altura de o substituir.

Ao falar sobre isso com a chefe da equipa, elencamos várias alternativas, entre elas promover outro colega. Mas percebemos rapidamente que ele  não é a pessoa certa. Reúne todo o conhecimento necessário, é tecnicamente competente, não lhe falta nada... só lhe falta acreditar em si próprio! Isso faz toda a diferença e é chocante. Leva-me a pensar, quantas vezes é que eu já cortei as minhas próprias asas? Quantas vezes eu poderia ter ido mais longe e não fui, por falta de confiança e de maturidade.

6/15/2013

O Segredo da Produtividade

Certo dia, eu tinha um desafio no trabalho, que partilhei com uma colega ao final da tarde. No dia seguinte, quando ela chegou, disse-lhe orgulhosa: “olha, vê o que eu fiz, já resolvi!” Ela ficou surpresa. “Como é que tu consegues fazer isso?” – perguntou, admirada por eu ter encontrado e implementado a solução em apenas uma hora que trabalhei nessa manhã. “Ora, fazendo!”, foi a única resposta que me ocorreu. A verdade é que eu não sabia explicar o segredo da minha produtividade. Isso incomodou-me e fez-me refletir sobre o tema, em busca da resposta.

A produtividade é a relação entre o output que produzimos e o tempo que demorámos a produzi-lo. Como resultado da minha busca, descobri que a produtividade do trabalhador do conhecimento assenta em 3 pilares interligados: atitude, energia e foco.

Tudo começa com a nossa atitude.

6/09/2013

O belo

A Few Simple Truths
Justyna Kopania

Contemplo a serenidade das árvores, as cores vivas das flores, a alegria dos pássaros, o andar ligeiro das lagartixas, o intenso azul do céu, a luz clara da lua, o calor aconchegante do sol. Estou rodeada de beleza. Essa beleza enche-me de satisfação.

O corpo vive de alimentos, água e ar. O emocional vive de amor, carinho e afeto. A mente nutre-se de projetos, ideias, filosofias, matemáticas. Mas a nossa essência vive da beleza!


6/02/2013

Inquietudes










Inquieta-me a crise e os seus fantasmas.
Inquieta-me a nossa dependência.
Inquietam-me as pessoas que ficam sem trabalho e a sua miséria.
Somos dependentes. Como um moribundo ligado à máquina...
Quando a luz falha, o moribundo morre.
A máquina é o emprego, essa coisa estranha da qual somos dependentes, pedintes, suplicantes.
A luz vai abaixo e nós não sabemos ligar o gerador. Isso inquieta-me profundamente.
Até porque eu também fui ensinada a procurar emprego, a depender da mesma máquina.
Na verdade somos escravos e não homens livres.
Escravos porque não somos senhores do nosso destino.
O nosso destino depende da máquina.
Inquieta-me acordar.