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2/17/2014

Quando a Andorinha falou


Sentada nas escadas de pedra, frias. A mochila ao lado. Hoje é o dia do passeio da escola. O primeiro passeio. Ela quer ir, a mãe não deixa. Mas ela tem esperança, até ao último momento. Vestiu-se, como se fosse um dia de escola normal. Quer ir para a escola, como os outros meninos.

- Posso ir, mãe?

Não pode. Neste momento, deve estar um autocarro grande parado junto à escola. Os outros meninos em algazarra, excitados pela aventura. Vão passear, descobrir coisas novas, viajar, brincar, divertir-se. E ela está ali, tão longe. Quer tanto ir, mas está tão longe! Se a vontade tivesse força, ela derrubaria o mundo. Mas a sua vontade esbarra contra uma parede: alta, escura, dura. Por mais força que faça, a parede não se mexe. E tem raiva, tanta raiva! Raiva de se sentir atada a uma escada de pedra, fria. Quanto maior é a sua vontade,  mais fria é a pedra e mais longe estão os meninos. A esta hora o autocarro já partiu. E tudo ficou escuro dentro dela.